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20/11/2008

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Os TABOM

Os ex-escravos que retornaram à terra pátria.

Os Tabom formam uma comunidade brasileiro-ganense, de ex-escravos, que voluntariamente retornaram à África após seus antepassados terem comprado sua liberdade no Brasil. Como na sua chegada a Gana sabiam falar somente português e usavam os cumprimentos conhecidos "como está?" e a resposta "tá bom", daí provavelmente a origem do nome dado a eles pelo povo ganense. Sabe-se de várias comunidades de descendentes de brasileiros em solo africano, grande parte delas no Benin, na Nigéria e no Togo, formando clãs com nomes como Souza, Silva ou Cardoso.

Estudos estimam que no século 19 aproximadamente 10 mil afro-brasileiros libertos voltaram à África. Em vários países da África Ocidental é possível encontrar bairros, escolas e museus com o nome "Brasil". Em Lagos (Nigéria) há um "Brazil Quarter" e um clube com o nome "Brazilian Social Club"; no Benin há uma escola chamada "École Brésil". Alguns afro-brasileiros são (ou foram) muito conhecidos em seus países. Um deles foi Sylvanus Epiphanio Kwami Olympio, eleito primeiro presidente do Togo em 1960. O primeiro Chachá do Benin, o chefe e controlador do comércio e da relações com os estrangeiros, foi o afro-brasileiro Francisco Félix de Souza, que ficou muito rico através de seu envolvimento com o tráfico de escravos. Ele teve 53 esposas, 80 filhos e 12.000 escravos. Quando faleceu, deixou de herança a seus descendentes uma fortuna estimada em US$ 120 milhões. A linha real dos Chachás existe até hoje no Togo.

Em Gana, o único grupo significativo de que se tem notícia é o dos Tabom. Segundo relatos, a viagem do Brasil para o Golfo da Guiné foi feita em um navio chamado S. S. Salisbury, oferecido pelo governo inglês. Na capital, Acra, chegaram por volta de 1836, vindos da Nigéria, como visitantes. Foram tão bem recebidos pelo Mantse (chefe) Nii Ankrah, da área de Otublohum, que resolveram ficar.

O líder do grupo na época da chegada dos Tabom a Gana chamava-se Nii Azumah Nelson. A família Nelson tem grande importância entre os Tabom. O filho mais velho de Azumah Nelson e seu sucessor, Nii Alasha, foi grande amigo do ilustre Rei Ga, Nii Tackie Tawiah. Juntos, eles ajudaram no desenvolvimento comercial e na melhoria das condições sanitárias do país. O atual Mantse, Nii Azumah V (foto ao lado, no centro), é descente dos Nelson, conhecidos por também terem a First Scissors House, a primeira alfaiataria do país, fundada em 1854, que, entre outras atividades, tinha a tarefa de fazer uniformes para o exército ganense. Prova dessas habilidades dos Tabom é o Sr. Dan Morton, atualmente um dos costureiros mais famosos em Acra.

Do povo Ga, receberam terras com localizações privilegiadas, em bairros hoje muito conhecidos da capital, como é o caso de Asylum Down, da área próxima à estação central de trens e da região em torno da Accra Breweries; nesses locais  grandes árvores de manga são, ainda hoje, testemunhas da presença dos Tabom. No bairro de North Ridge, há uma "Tabon Street", que lembra as plantações que eles tinham no lugar. Muitos Tabom atualmente vivem em James Town, uma área hoje pobre, que fica de frente para o mar e próxima ao antigo porto de Acra. Lá há uma rua chamada Brazil Lane, onde está localizada a primeira casa que abrigou os Tabon, a Brazil House. Os Tabom iniciaram o cultivo de manga, mandioca, feijão e outros vegetais, além de trazerem do Brasil várias habilidades como técnicas de irrigação, carpintaria, arquitetura, trabalhos com metais, especialmente os  preciosos, alfaiataria, entre outros, melhorando, dessa forma, a qualidade de vida de toda a população ganense. Além disso, os Tabom contribuíram no campo da religião, uma parte deles no estabelecimento do maometanismo, outra na preservação de cultos religiosos como o shangô. Hoje eles estão completamente integrados a Acra, são aceitos como parte integrante da divisão de Otoblohum.